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Basta falar de anemia que já se pensa em carência de ferro. "Afinal, as hemoglobinas, moléculas que transportam o oxigênio no sangue, são constituídas por ele", explica, logo de cara, Sandra Fátima Menosi Gualandro, professora de hematologia e hemoterapia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a USP. Portanto, sem o famoso mineral que participa do transporte de oxigênio, literalmente falta ar para as células trabalharem, o que costuma resultar em tonturas, abatimento e até palpitações. Entretanto, essa estrela não faz todo o seu show sozinha — muito longe disso.
Na Universidade de Brasília (UnB), a nutricionista Fabiani Beal observou que, em ratos, a ausência de vitamina A implica menos ferro no sangue. O trabalho é tão contundente que será publicado no British Journal of Clinical Nutrition, um dos principais periódicos científicos da área de nutrição. Durante o estudo, Fabiani constatou que a tal vitamina interfere em genes que ativam a produção de substâncias envolvidas no metabolismo do ferro. Só para citar um exemplo, privar-se da protagonista desta reportagem culmina em uma produção enorme do hormônio chamado hepsidina. "Quando há excesso dessa substância, o organismo entende que há pouco ferro disponível e, então, o retém nos tecidos, impedindo seu aproveitamento na corrente sanguínea", explica Fabiani. Traduzindo: a falta de vitamina A impede que o mineral seja bem utilizado, mesmo quando o cardápio está cheio dele.
"O paciente precisa investigar a verdadeira causa da anemia. Não adianta ficar suplementando a alimentação com ferro sem tratar outras eventuais deficiências nutricionais", alerta Fernanda Ribeiro Rosa, nutricionista da UnB que averiguou justamente os potenciais efeitos nocivos de uma carga elevada do mineral combinada com pouca vitamina A. A descoberta é preocupante: o quadro acima, em que o ferro vai se acumulando cada vez mais nos tecidos, resulta em um aumento no corpo de radicais livres, moléculas instáveis que aceleram o envelhecimento e contribuem, entre outras coisas, para o aparecimento de males como diabete e câncer.?
Como não adianta encher o prato com fontes de ferro sem se preocupar em ingerir a quantidade correta de vitamina A, procure ter uma alimentação variada em todas as refeições. "As carências nutricionais quase sempre estão associadas entre si, ampliando e potencializando as consequências ruins de uma deficiência isolada", reforça o pedido Abykeyla Tosatti, nutricionista da Universidade Federal de São Paulo.
O consumo diário deve ser de 900 microgramas de vitamina A para os homens e de 700 para as mulheres. "É possível alcançar uma ingestão adequada com alimentos como fígado bovino e ovos", exemplifica o nutricionista Alexandre Rodrigues Lobo, pesquisador do Laboratório de Minerais em Alimentos e Nutrição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. E, vale destacar, alimentos de origem animal costumam ser os campeões em concentração desse nutriente tão procurado.
Só que não dá para se valer do fígado e do ovo todo santo dia — principalmente se você é vegetariano ou se não aprecia o sabor dessas opções. A solução é, de novo, diversificar e apostar em vegetais como a cenoura, a abóbora, a manga, o damasco, o caqui e até as folhas verde escuras. "Consumindo de cinco a oito porções de frutas, legumes e verduras por dia, você certamente atingirá os valores adequados".
A vitamina C também tem papel superimportante no combate à deficiência de ferro. Isso porque ajuda o intestino a, digamos, sorver melhor o mineral e, depois disso, enviá-lo para dentro das artérias. Por isso, é fundamental investir rotineiramente em alimentos ricos nesse nutriente no café da manhã, no almoço e no jantar. Quer uma prova de que isso não é nada complicado? Um suco de acerola, assim como uma laranja ou um caju, serve como ótimo complemento a qualquer hora do dia.
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A vitamina que barra a anemia
Basta falar de anemia que já se pensa em carência de ferro.